Um lugar para a cidadania ativa

Grupo Pedras Negras

Grupo Pedras Negras

Se você está interessado em compreender a nova problemática da legitimidade e sustentabilidade das Ongs no Brasil, recomendo a leitura do documento Grupo Pedras Negras – Um debate sobre o futuro das organizações de cidadania ativa, publicado em 2012 pelo Ibase (180p.).

Ele registra as análises, reflexões e propostas de um grupo pequeno (07), mas muito significativo do campo de Ongs brasileiras, todas filiadas à Abong (Associação Brasileira de Ongs) e ex-parceiras de Oxfam Novib.

O Grupo Pedras Negras (nome do hotel onde se reunia no Rio de Janeiro) teve 13 reuniões entre 2007 e 2011, debatendo temas que vão da crise global, o atual modelo de democracia e aos desafios da sustentabilidade das Ongs no Brasil.

O documento é muito rico em dados, informações e análises sobre a trajetória das Ongs no Brasil. Especialmente instigante é a reflexão sobre os desafios colocados às Ongs. Em um desses, lê-se a percepção da identidade diferenciada deste campo de organizações de cidadania ativa:

“- Superação da crise de legitimidade das organizações do nosso campo, decorrente da confusão entre elas e um universo indiferenciado de organizações filantrópicas, assistencialistas, fundações empresariais e falsas
entidades sem fins lucrativos, que prevalece no imaginário e no senso comum da sociedade brasileira;
– Reconhecimento da identidade própria das organizações não governamentais de cidadania ativa, que atuam na perspectiva dos direitos e estão voltadas para a construção de alternativas sustentáveis e democráticas para a sociedade brasileira”.

Na seção Definindo Rumos, o parágrafo abaixo expressa a necessidade de rever paradigmas e visões como condição para avançar:

“Falta-nos um olhar crítico sobre nossas próprias hipóteses. Nossa retórica não tem mais fundamento. Nossas apostas muitas vezes não dialogam com a realidade. Estamos com visões arcaicas. As nossas hipóteses eram virtuosas, mas a realidade, não. Quais os caminhos da democratização? A democracia é radicalizável no contexto do capitalismo? Que derrotas tivemos na aposta de ‘democratizar a democracia’? Fizemos uma leitura linear da realidade e acabamos subestimando a sua complexidade. Mas isso tudo não está pondo em questão os próprios fundamentos de nossa existência? Afinal, nascemos como parte de uma mudança nas estratégias das esquerdas na América Latina, de conquista revolucionária do Estado, como condição de fazer a justiça social, para a construção da democracia radical como método de mudança do capitalismo e edificação de sociedades includentes, participativas, justas e sustentáveis. Estamos duvidando de nossa opção originária? O que está em questão é a análise das condições e não a opção estratégica da democracia. Em todo caso, precisamos revisitar essa questão fundante. Se no decorrer de nossa história como organizações os nossos vínculos com a sociedade civil mudaram, nossa identidade necessariamente também mudou. Somos muito diferentes das décadas de 1970, 1980 e 1990”.

Quem dera todos os campos identitários no vasto e diverso campo das OSCs se colocassem as perguntas corajosas que o GPN se colocou…
Boa leitura!

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