Analisando recentemente algumas experiências de desenvolvimento social apoiadas por instituições internacionais e corporativas brasileiras, dei-me conta de quão frágil são os referenciais e limitadas as abordagens da problemática do desenvolvimento institucional, isto é, do fortalecimento integral e integrado das organizações sociais.
O mais comum é que o fortalecimento das organizações sociais seja traduzido pelo aperfeiçoamento técnico e gerencial, pelo fortalecimento de capacidades, revelando que o que importa é apenas sua performance.
Poucas vezes se identificam experiências nas quais o desenvolvimento institucional das organizações é tratado não somente em sua dimensão de capacidades técnicas, mas também e concomitantemente, em sua inescapável dimensão política.
Acreditar que as organizações da sociedade civil podem ser apenas organismos prestadores de serviços significa supor que o Estado e o Mercado são os únicos atores capazes de resolver os problemas da sociedade e que as organizações sociais são a eles subordinadas em imaginação, propósitos e recursos. Querem nos fazer crer que tudo é uma questão de forma e de qualidade.
Se não tratamos as organizações da sociedade civil como sujeitos políticos autônomos, cuja razão de ser está na catalisação de processos de mudança social, como esperar avanços sustentáveis e duradouros na qualidade da Democracia e do Desenvolvimento Social que temos?
Para isso, o desenvolvimento institucional das organizações sociais deve ser trabalhado em todas as suas dimensões e em sua integralidade. Com isso, as organizações poderão se fortalecer como sujeitos políticos capazes de incidir na institucionalidade.
